Aos manifestantes

(poema distribuído no dia 21 de abril na Marcha Contra a Corrupção / Fora Marconi em Goiânia)
Marcha contra a corrupção
O povo mostra sua indignação
Em meio a manifestação
Sentimos a forte emoção
De lutar junto à população

É momento também de reflexão
Para pensar nossa situação
E fortalecer uma idéia de transformação

Precisamos ampliar nossa visão
Para conseguir ver a corrupção
Não de um ponto de vista supercifial
Mas em seu caráter social

Aí entendemos e percebemos
Que o corrupto não é o camelô
Mas sim os da corja do senhor governador

Políticos são para o povo um fardo
Não se trata do indivíduo mas do cargo
Tenhamos nós todos a consciência
Que todo poder é corrupto por excelência

Enquanto houver capitalismo
A humanidade estará à beira do abismo

Que mais protestos esse povo anime
Que esse sistema é a corrupção e o crime
Organizados
Sistematizados
Institucionalizados
E tornados em estado normal de sociedade
Deprimente realidade

Revelamos que nossa intenção
Depois de analizar esse tema
É não esperar do governo a solução
Pois o mesmo faz parte do problema

Que essa luta proporção maior tome
Para além do Fora Marconi
E sejamos então mais críticos
Para gritar Fora Todos os Políticos!

Pelo fim a sociedade corrupta
Só uma transformação radical
Essa deve ser a nossa luta
Pela Autogestão Social!


(Luiz Aurélio)

Ao escritor


Curto é o período de um dia
Curto é o espaço de uma vida
Rápida como páginas lidas...
Que podem ser longas
Quando é algo que significa
Pois possui prolongamento
Para além daquele tempo
Em que você as ficou lendo
É algo que contagia

Ficam em processamento
Lhe estimulam o pensamento
Despertam sentimentos
Que geram movimentos

Apenas papel e tinta
Podem ser algo mais
Dependendo do conteúdo

Apenas a breve vida
Pode ser algo mais
Dependendo do conteúdo

O grito libertário

O grito que os bravos companheiros,
Lançaram com vontade no passado
Continuam a ecoar em nosso meio
Desafiando a propriedade e o Estado

            Enquanto perdurarem opressões
            A criar seres humanos humilhados
            Perdurarão rebeliões
            Quando da humilhação ficam cansados

Se tolas décadas separam...
Une o elevado ideal de liberdade,
Os que em outras épocas lutaram.

            Ao futuro deixo uma verdade
            Serei também dos que gritaram
            Contra o poder e a autoridade


Luiz Aurélio
julho 2011

Bandeira Negra

Bandeira Negra,
sua maior beleza
é ser uma anti-bandeira
no sentido nacional

              Representa nenhuma nação
              Pois é símbolo de união
              Com objetivo de luta
              Com objetivo de ação

Nacionalismo é um mal
Poderosos o colocaram
As fronteiras não nos separam
Nos separa a classe social

              De união repercuta uma voz
              Entre todos os produtores
              Gritando paz entre nós
              Gritando guerra aos senhores!

Trabalhadora e Trabalhador
Seja lá de onde for
Também é um dos nossos
Não travemos fratricidas combates
Que não haja guerra entre os povos
Que não haja paz entre as classes!

              Sob as coloridas bandeiras nacionais
              a humanidade agoniza
              Entre multidão de divisas,
              sofrimentos tão iguais!

Nos dividindo é a maneira
Que o inimigo se fortalece
Contra isso é preciso lutar

Levantemos bandeira negra
bandeira que se escurece
para que o ser humano possa brilhar

               Chega de tiranias!
               Escancaradas
               ou travestidas de democracia

Governo é só sofrimento e opressão
Para cima da população
Nesse mundo degradativo
Só os trabalhadores podem dar solução
Botando fora o político
Botando fora o patrão

               Se lançando ao combate
               Abolindo a propriedade
               dos meios de produção

Começar a organização da sociedade
Através do povo em união
Derrotar a ilusão de incapacidade
Sua infinita capacidade demonstrarão

               Para uma verdadeira revolução
               Que leve para a libertação
               Não há outra maneira

Que o nosso ser seja fogueira
A queimar toda opressão
Levantemos bandeira negra
e gritemos autogestão


Luiz Aurélio





Cidadãos “respeitáveis”

O burguês e o político são venerados
até mesmo por alguns
que são por esses explorados.

Privilégios e poder ao paspalho!
E todo esforço nessa vida será falho

Os que com seu trabalho
geram toda riqueza
colherão penúria, pobreza
e de brinde mais opressão de sobremesa.

13 de Junho 2012

Mudança de planos

Era para ter feito hoje a tarde, aquele trabalho atrasado
Porém pulsou em meu peito um sentimento revolucionário
Tive um surto criativo, que energia !
E não consegui produzir outra coisa que não fosse poesia

13 de Junho 2012

Perspectiva do proletariado

Cresça no seu peito autêntica certeza
Que nos que hoje são humilhados
Explorados e inferiorizados
É que reside a verdadeira grandeza

A grandeza que esses carregam
não é a capacidade de suportar
Essa odiável situação
Mas sua capacidade de lutar
Se unir para a ação
Sua própria humanidade afirmar
Promover a transformação.
Essa velha ordem aniquilar
E construir a autogestão


Luiz Aurélio
Jun-2012

Foto de Sebastião Salgado mostrando um conflito entre trabalhadores e polícia militar no garimpo de Serra Pelada em 1986.

O vômito

Esse mundo sempre a sufocar
E eu ali sem concordar
Mas para conseguir a sobrevivência
A mim mesmo era preciso negar
Tinha que aguentar a existência
Que corrói minha essência...
Por liberdade sempre a gritar

O estudo e o trabalho a oprimir
Um banquete pra me alimentar
Goela a baixo devo empurrar
Muitas coisas fui obrigado a engolir
Mas me recuso porém em as digerir
Na cara dessa sociedade elas hão de voltar

Não da forma bonita
Como na mesa estavam a apresentar
Mas cortada, mastigada, engolida
Para seu conteúdo verdadeiro mostrar

Que a outros venha a enojar esse vômito
Para que também de seus estômagos
para fora venham tudo colocar
Ainda a tempo de não se contaminar
com toda essa porcaria que nos fizeram alimentar

E não é pois esse alimento
que ao corpo dá o sustento
é comida ideológica
Que naturaliza o poder
Que escraviza ao que comer
A reproduzir do sistema a lógica
a mesma que o irá esmagar
Como podem aceitar ?

É tortura física e psicológica
Ou a continuam tolerar
Ou se colocam contra ela a lutar
Só na segunda opção
É a que alguma solução
Poderão os povos conquistar

junho-2011

Que venham novos ventos

Esse é um poema em dedicatória
Aos ventos que sopraram outrora
Que fizeram passagem notória
Para soprarmos também já é hora

Ventos são de intentos luminosos
A escuridão? A querem em destroços!

Mesmo em trevas eles fazem trajetória
Afirmando que pela luta existe escapatória
Que os Trabalhadores podem fazer a aurora
Nesse mundo que ao ser humano deteriora

Novembro
2011

Dilemas de um morto-vivo

Perdido... deprimido...
o sonho se desmanchou!
Por mim mesmo traído
meu espírito se esvaziou.

Naquela noite sombria
A lua de nuvens apagada
Pelo cemitério eu seguia
O álcool me embriagava

Lápides, vultos, vozes
Tudo me assustava
O galopar dos meus algozes
O sacudir de minha garrafa

Companheiros, nessa noite trágica,
O esperar será a tática
(É a passividade ilógica)
Quem sabe uma entidade mitológica,
saia da minha lâmpada mágica ?
E realize o desejo,
de me dar o que quero mas não vejo
e nem busco pela prática

Ah... vida desgraçada!
 Lâmpada não tenho
Apenas essa garrafa
Que não clareia nada,
desde lá de onde venho.
Seu conteúdo a vista embaça...

Oh! Seu vidro se estilhaça,
aumentando meu lamento.
Olho ali triste,
aquele líquido desperdiçado
que os cacos sejam alpiste
de algum pássaro amaldiçoado

Sobrou o frio congelante
O ar parado, sossegado
Um eu subjugado
Covardia e medo abundante

Ali bem chateado
Ouço gemidos agonizados
Vindos de túmulos despedaçados
De repente...
grotesca visão!
Mortos que saem do caixão
Um deles à minha frente
Os vi em toda direção
Mas o perigo só senti realmente
Quando com uma mordida de raspão
Me surpreendeu violentamente
Um deles a sair do chão

Me dei conta da grave situação
Quando se revelou claramente
Qual era deles a intenção

Dilacerar a minha mente...
Corroer meu coração...

Fugi desesperadamente...

Mas o novo era repetir o antigo
Pois era o cemitério um labirinto
E outro maior ainda trazia comigo
Aqui o tormento é o que mais sinto

Sem conseguir escapar do recinto
Saio pelos corredores a me debater
As paredes a esmurrar
De tristeza e raiva a chorar
Auto-condenado a perecer

Após fuga alucinada
Os zumbis acreditei despistar
De cansaço a ofegar
Encostei numa lápide abandonada

Estava toda empoeirada
Não se lia a inscrição
Sobre ela passei a mão
Vi meu nome nela gravada!
Se levantou dela um morto...
E pelo seu rosto e pelo corpo...
Era eu que ali estava!

Contra mim estava a vir
Não tinha como fugir
Travou-se uma luta feroz
E não sabia mais distinguir
Em qual estava minha voz
Não podia a briga assistir
Pois dela não tinha como sair
Derrotado me deixei cair...
Como pude desistir?

Comemoraram os quase-mortos:

-Agora você é um dos nossos!
 Nada de inovadora trilha,
 bem vindo a nossa velha família:
 Moribundus Decompostus!

Agora sub-vivo por aqui
Não preciso construir
Porque vivo dos destroços

Ser vivo é difícil
Tudo é enfadonho
Sempre ali em conflito
lutando por um sonho

É fora da larga estrada caminhar...
Se desgarrar do rebanho
Se tornar pois um estranho
Vagando em caminho tortuoso
Querendo abrir novas passagens
Para explorar novas paisagens
Dizendo que andar na estrada é perigoso
Fala ainda pra convencer os outros
Que é possibilidade, de grandes vantagens
Se saíssem dela todos!

É querer as coisas complicar
Quando o que resta é aceitar

É remoer só ilusão
São devaneios que quem é moço
É teimar com a razão
e provocar vão alvoroço

O cemitério me vislumbra
Agora minha casa é uma tumba
No trabalho tenho hora
Aqui sou só mais um
Ganho pra cavar minha própria cova
e por vez de mais algum

Mal consigo me mexer
Não consigo mais correr
Nem consigo mais sonhar
Desajeitado e lento é meu andar
Sigo pela noite a cambalear
Com gemidos a soltar
Pois mal consigo mais falar

Do morto-vivo o descanso
é a morte definitiva
De quem foi sempre manso
a morrer por toda a vida

Já do vivos criei raiva
Só atrapalham daqui a calma
Dos que se deixam apodrecer
Querem que zumbis deixemos de ser
Dizendo que realmente podemos viver
Atormentam minha podre paz!
De persegui-los fui capaz
Veja só como é que é
Se pisa em minha tumba um rapaz
E eu já lhe mordo o pé

Os vivos ataco todo dia
Pois defendo a porcaria
Sou zumbi até os ossos
Honro a tradição de minha família
Moribundus Decompostus !

...
...
...

Mas vezes sinto nos vivos razão...
De onde isso vêm?
Acho que disso tudo tenho rejeição...
Será que quero ser um vivo também....?

Devorando ali migalhas
E olhando aquelas chagas
de meu corpo moribundo
Pude ver no fundo...
de uma profunda ferida apodrecida
uma brasa ainda acendida
Pensei um pouco...
Se eu quisesse, chama dela eu faria
Talvez esse fogo
consumisse meu corpo morto...

Mas seu calor em dois me dividiria!
Um Eu Vivo contra mim se colocaria
Uma luta inevitavelmente se daria
E o desfecho, que dilema!
Eu ainda que decidiria

Em meio à confusão suprema
Indeciso fico
Mas só esse pensar
Já fez fumaça levantar
Atormentando o cadavér frio
Sua carne fez esquentar
Da coruja o horripilante pio
Anuncia o início da batalha
Naquela noite embalada
Pela orquestra dos fantasmas
E pelos uivos do vento nebuloso
Possibilidades estão lançadas
O futuro? Eu o escolho!

A derrota do meu eu zumbi
A rejeição dos mortos vivos vai provocar
Perseguido e errante terei de seguir
Ousada é essa decisão tomar.

Poderei eu deixar
de a cada instante continuar a morrer?
Livremente me movimentar,
quem sabe até pelos campos conseguir correr?

Poderei surpreender,
os que me viram semi-falecido?
Como um leão me erguer,
lançando forte e vivo rugido?

Só terei força pra lutar...
Se novamente voltar a sonhar
Se irei pois triunfar
e meu morto-vivo derrotar...

Encarnada contradição!

Possibilidade de solução
Em minha mão aí está!

(Luiz Aurélio)

Resistir é minha razão de existir

Lutando com dedicação
Entre o estudo e a ação
Horas, entre leituras e escritas
Nos protestos, uma cara conhecida

Um espírito que não se conforma
Um alienado para isso olha,
e não entende o porque faço isso.

Diante de um mundo dessa forma,
realmente não faltam motivos,
em quem tenha de consciência o mínimo.

Um dia passou diante de mim a morte
E eu pude escapar dela por sorte

Refleti depois sobre minha existência
Neste mundo cheio de problemas...
Será que fiz alguma diferença?

Mais bem pior que não ter nada mudado
É não ter nem ao menos tentado
Não ter nem pra isso se esforçado

E se ali tivesse tudo acabado?
Meu fim naquela hora chegado...
Que estúpida morte seria!
Mas não mais estúpida do que toda minha vida

Já que nesse mundo imundo eu vou continuar
Não mais em branco por ele irei passar
Minha marca nele eu irei deixar
Meu compromisso é agora para sempre lutar
Num sistema que a todos mortifica
Na luta contra ele se expressa a vida
Agora tudo é intensidade
A emoção que se sente no calor do combate

Em cada obra lida,
Em cada texto ou poesia escrita...
Uma batalha vencida!

Aqueles que lêem por ler
Escrevem por escrever
Obrigados pelo trabalho ou pela escola
Em troca de um salário ou de uma nota
Ou mesmo para se promover
Querendo alguma vantagem obter...
Nunca poderão me compreender!

Se o mundo irá mesmo melhorar ou não
Não é essa a questão
O importante é que dei minha contribuição
Que lutei com compromisso e determinação

Que não fui cúmplice nem omisso...
Em meio a atrocidade e injustiça,
vendo a população explorada e oprimida.
Fui alguém que se colocou contra tudo isso

E agora não mais importa
Se a morte me bater à porta
Para o fim da existência eu sigo
Com sensação de dever cumprido

O único lamento sentido
Será o de mais tempo não ter tido
para mais um pouco ter aqui combatido.


Luiz Aurélio
16 de agosto
2011

Um chamado ao combate


Das aparências eles aparecem como sujeitos dignos de respeito
querem ver a sociedade mirando nas paredes da sua casa de espelhos

- Tudo está bem, está bem até demais,
do que você está reclamando aí meu rapaz ?

Acho que o que pergunta também reclamaria
se ao menos visse direito
alguma coisa além do próprio umbigo gigantesco
Pra ele é tudo bem
pros outros é que é o bicho
mas até esse estar bem
também é relativo
agora de sua vida fútil outra hora falo disso

Sigo em frente e os deixo
na lama da mediocridade fazendo seus rastejos
e procuro desenvolver a minha mente
sempre a passos gigantescos.

Porém ao solo do estabelecido também não quero ficar preso
É preciso muito além pensar
pois somente pensando grande
é que se pode coisas grandes alcançar
Tento num grande salto me lançar ao ar
além das barreiras rasteiras navegar
mas a gravidade das imposições
da decadente sociedade
tentam me puxar
me derrubar
para que nesse caminho eu não possa continuar
- O mal exemplo deve perder o sustento
se não outros podem começar a imitar!
Ou pior, podem imitar
e na mesma linha começarem a inovar
desenvolvendo o mal exemplo
que tormento!
 podem do trono nos vir a arrancar.

Contorno a adversidade
evitando ir para baixo
as velas eu alço
procurando orientar o pensamento
encontrando as correntes de vento
que fortaleçam o movimento
que conduzem ao libertar.

E junto com muitos outros lhe respondemos:

- Tremam mesmo seus nojentos!
Deixaremos sua velha ordem ao relento
seu domínio podre iremos destroçar
com um golpe só, a dois se derrubará
ao seu domínio e ao nosso sofrimento
Esse circo de horrores
hipocritamente chamado de desenvolvimento
será para a humanidade
somente triste lembrança no tempo.

Vejo a sociedade atual
Que deprimente espetáculo
seres humanos escravizados
animais
presos nos currais
adestrados, domesticados, castrados , confinados
no rebanho sempre iguais
seguindo esses falsos guias como bobos
não conseguindo perceber que esses guias são os lobos
Iludidos com a promessa de encontrar algum tesouro
não percebem o caminho esta levando ao abatedouro.
Que sufoco

O seu vencer na vida pra mim é só ouro de tolo
Na verdade é bem pior
o ouro de tolo ainda é inofensivo
mas seu sistema é pra vida humana extremamente destrutivo
Antes matasse de uma vez !
Mas não, ainda consegue ser pior
é uma tortura cruel por toda a existência
contra a qual não adianta pedir clemência
pois tem na desgraça da humanidade a própria essência
 e o que alimenta sua permanência.

Não perca tempo pedindo piedade
nem ache dos céus ou do espaço
virá alguém que te resgate.

Aparecem também humanos supostos salvadores
mas que não salvam nada na verdade,
querem é derrubar os dominantes
para se tornarem os novos senhores
Outro jogo podre
onde poucos ganham muito
e muitos saem perdedores.
Tem também os pacificadores pregando a não-violência
como solução das dores da humanidade.
Ser bonzinho contra quem te estraçalha, que bondade!
Dê a outra face até que arranquem sua cara de tanto tapa
não reaja

reagir é ser igual a eles?
Que falácia !

Isso mais parece um masoquismo destrutivo
Te ferem gravemente e você acha bonito.
Te impõem a desgraça e você não fala nada
falar até fala
mas a não-violência
também é uma não-ameaça
contra quem oprime as massas

Tudo que eles temem é a revolta popular
a população armada ao sistema derrubar
isso para alguns ditos revolucionários
é violência...
é uma demência de lascar!

Não vê que a violência é a que emana do sistema?
Lutar contra isso se chama resistência
é o combate pela vida a favor da existência

Se eles não largam o osso nós devemos sim tomar.
Se preciso for através da força.
Ou então faça sua forca
tente conseguir indo abraçar os da matilha-loba
e peça que nenhum te morda
A intenção até é boa...
mas no final não largarão osso algum
e ainda outros ossos terão na boca os lobos
serão os ossos pacifistas arrancados do seu corpo.

Seja racional,
"até o verme se retorce
contra o pé que o esmaga"

O conflito aberto é a via
a vitória é o resultado.
É a turbulência do parto
antes do nascer da nova vida.

Veja que falo de lutar
mas não começar a guerra.
Pois ela já está rolando solta
mas você que não enxerga
se atualmente está camuflada
pode ser traga às abertas.

Se a luta torna a vitória possibilidade
devemos arriscar a cura
para a doente sociedade.
A doença é bem grave
é quase estado terminal
a evidências apontam claro
que a morte é o seu final
ou fazemos alguma coisa
ou a história acaba mal.
Sozinho ou de grupinhos ninguém faz revolução
mas aqui no meu cantinho dou minha contribuição
como todos também sinto sofrimento
de várias formas
conseqüentes da doente sociedade
que faz com que viver seja um tormento
mas nunca felicidade

Descarrego a queima roupa
meu cartucho de descontentamento
agora compare com a realidade e veja
se esse pensamento tem mesmo fundamento

Se você também sente em suas veias
pulsar o sangue da revolta
contra tudo que te oprime
e as pessoas mundo afora.
Essa é a hora
e sem mais demora
usemos dos meios disponíveis
e propaguemos a revolta!
A utopia é um sonho,
dos mais belos é verdade
mas caminha pra realidade
quando procurada
pelas classes dominadas

Se a vitória é o que temos em mente
porque temermos a derrota?
A derrota permanente
já a temos atualmente.
Se o combate abre uma chance
então é um grande lance
entrar nessa empreitada.
Porque se no agora o azar é certo
na luta a sorte estará lançada

Se você concorda
estamos do mesmo lado da corda
e a vitória tem o início
no momento em que o povo acorda

Impeli-los para isso é que é a grande sacada,
Expor e desenvolver nossos argumentos
falando, escutando, cantando, debatendo, lendo e escrevendo
até o momento
em que nos encontraremos
no calor das barricadas...
companheiros na batalha
até a vitória camarada !

(Luiz Aurélio)

Pós-trip

Entorpece a passageira euforia
Permanece a sujeira do dia-a-dia
Sujo por toda essa porcaria
Que nos foi imposta de cima
E que quero ver destruída.



Dificuldades...


Se os obstáculos parecem muito grandes
e o fracasso parece certo
É preciso esquecer as aparências
e olhar mais adiante
Pois se sozinhos somos como insetos
Unidos seremos um gigante
Que não há o que o possa deter
Mesmo todo o aparato do poder
Fica ridículo, pequenino
O Trabalhador só continua a sofrer
Por que não tem consciência disso


Aurélio

Auto-educação


Você pode aprender...
Por conta própria.
Em casa e nas ruas
Fora dos muros da escola

Você pode aprender...
Por conta própria.
Sem professores,
aulas, provas, notas.

Você pode aprender...
Por conta própria.
Acorda !

Não desperdice seu tempo
na frente da TV
Não desperdice seu tempo
com besteiras no PC
Não seja um alienado
Seja mais você.

O que você quizer
Você pode aprender
escolha uns bons livros
crie o hábito de ler
e leia criticamente
desenvolva sua mente
para o sistema combater.

Cárceres

Cárcere, cadeia, prisão.
É das sociedades
fundadas em desigualdades
Mas uma horrenda criação

Se fundamenta na hipocrisia...
De quem diz combater
De quem nos diz proteger
De males que são sua cria!

Legisladores, juízes, policiais
Aparato a serviço dos barões
E os pobres cada vez mais
A lotar as celas das prisões

Sobre os verdadeiros ladrões
É preciso fazer a critítica
Para vê-los nos ricos patrões
Para vê-los na política

A Verdadeira Revolução

Vejo essa sociedade e a podridão que simboliza
Vejo o grupo de sonhadores que com ela rivaliza

Vejo e sinto o peso da ordem que escraviza
Me uno ao sonhadores, me faço um anarquista
na batalha me lanço, como lutador propagandista
pois sei que a vitória só com o povo se conquista

Ao povo trabalhador deixo este refrão:
Se desejam a verdadeira revolução
rechacem ao líder fanfarrão.
A chave da emancipação
não a procurem em chefes ou governos
Basta a vocês olhar direito
não para cima mas para o próprio peito
e aí a encontrarão

Logo se vê a diferença que têm
entre os libertários e os rebeldes bolchevistas
que querem a revolução como um trem
que promete chegar a terra prometida
seguindo os trilhos da estatal burocracia
conduzido por seu líder, -o maquinista-
onde o povo não é protagonista,
mas simples refém
a olhar pela janela do vagão
com desdém
desilusão
se sentindo usado como bucha-de-canhão
ao ver sua bela revolução
se degenerar em uma nova tirania.
Não meus irmãos !
Não se percam na cruel ilusão
de um governo novo que fará transformação
Estado significa opressão, ditadura, hierarquia,
essa é sua trilha nunca irá por outra via
E aí reside o valor da anarquia
que a todo poder proclama antipatia
em nome da autogestão

O segredo para nosso sucesso
que leva ao mundo novo de harmonia e união
reside que o povo tome todo o processo
em suas próprias mãos

Que no campo ou na fábrica
não haja proprietário nem patrão
para que o povo que trabalha
seja senhor da produção
junto com mais camaradas
faça o transporte e distribuição
e outros que prestando serviços diversos
dêem sua contribuição
seja na área da saúde ou da beleza
limpeza urbana ou construção
Que tudo seja para todos e não de alguns um luxo
onde a produção não sirva ao comércio e lucro
mas sim para atender as necessidades da população.

Por isso o trabalho não será mais excessivo,
estressante, degradante e cansativo.
Será um meio de alegria e satisfação.
e em todo tempo livre que terão
o povo livre poderá se dedicar
às ciências, artes e diversão.

Assim, no lugar do estado e governo acabados
deve figurar o povo livre associado
organizando sua auto-administração.

No lugar da polícia e exército derrotados
deve figurar o povo armado
fazendo sua auto-proteção.
Um vez efetivada essa verdadeira revolução
logo virá sua alastração
pelos povos mundo afora
daí em diante a divisão do planeta
em países e territórios, não mais vigora
se abolirá toda fronteira
é o fim da divisão
a raça humana comporá uma só nação
que caminhará livre por sobre a terra

Nessa altura de evolução
já não haverá mais razão
para o estoque de armas de guerra
Com todos os opressores derrotados
e o povo todo libertado
elas servirão somente aos museus
como velhos artefatos
para serem observados

E se algum desentendimento surgir
Logo irá se descobrir
uma boa solução
com tranqüilidade, diálogo e conversação

No Mundo Livre as novas gerações
levantarão muitas questões
quando a curiosidade os levar
a estudar o passado.

Olhando o presente em que vivemos
e outras épocas de opressão
Se perguntarão a respeito daqueles coitados
que aceitaram viver por tanto tempo
de modo tão desgraçado
sem depressa terem se rebelado.

(Luiz Aurélio)

Arte e ciência

Artistas e pensadores?
Mercenários e traidores!
Se pondo à serviço do poder
Serviçais dos dominadores
Cúmplices e colaboradores
De tudo que traz o aniquilamento
da livre arte e pensamento

arte, ciência?
Engano, elitismo...
assim colocados
que pena.

Talvez o dia venha
Dias de um mundo novo
E recebam vida do povo...
Então a arte e a ciência
deixarão de ser um problema


Luiz Aurélio

A morte não podem me dar

Contra a injustiça sempre a lutar
Procurando ao povo ajudar
Não por caridade ofertar
Mas por reconhecer
Sua força, seu valor e seu padecer
Por ver
Que unidos podem tudo transformar
Com o sofrimento da humanidade acabar
Essa forma de sociedade podem superar

Mas essa luta para a liberdade alcançar
Aos poderosos parece incomodar
De morte estão a me ameaçar
Mas a morte não me podem dar
A morte seria me acomodar
Diante de tanda atrocidade me calar
Como mais uma ovelha por essa vida passar
Não...
A morte não podem me dar

Nesse mundo,
imundo
Que a vida humana segue a triturar
A morte está em o aceitar
A vida está em contra ele lutar

É a venda dos olhos tirar
É para baixo parar de fitar
É ao infinito lançar o olhar

A morte não podem me dar

Por que aquele que luta,
mesmo que executado
por pistoleiro e força bruta
Não tem final selado

Seus inimigos o verão voltar
Cada vez mais forte
Pois ao que julgaram ter dado morte
Aos tiranos irá ainda assombrar
A cada vez que um oprimido se revoltar
Ali ele também vai estar

Se minha vida foi lutar
Mesmo se por balas eu tombar
A luta continuará
Enquanto a injustiça perdurar
Colocada a causa da revolta está
Mais revoltados gerará
E o rebelde, mesmo “morto”, viverá

"Em homenagem a todos @s lutador@s que foram mortos ou ameaçados de morte devido a sua militância"

Saudações Proletários

"Saudações Proletários,
chegou o grande dia;
deixemos os antros da exploração,
não ser mais escravos da burguesia,"
tomemos os meios de produção!

De cada um segundo as suas capacidades,
a cada um segundo as suas necessidades.

A sociedade organizada em Autogestão,
isso é que é Revolução!

A Liberdade como maior anseio
Coerência entre os fins e os meios

O Povo livre associado,
a destruição do estado,
a extinção dos tiranos!

Conhecerão vida os seres humanos,
que só vegetaram ao longo dos anos...

Oh, Proletário!
Está tudo em suas mãos...
Não te chamamos à revolta por caridade.
Chamamos porque sua auto-emancipação,
é também condição de libertação,
para toda a humanidade!

Luiz Aurélio
05/08/2011

Traidores bolcheviques

Quanta enganação...
Malditos bolcheviques!
Quando correm águas de revolução...
O que eles fazem nessa situação?
Barram seu caminho pondo diques!

Quando falamos revolução
Falamos de toda a sociedade
organizada em autogestão

Quando eles falam revolução
É um engodo na verdade
Para outra forma de opressão

Nós queremos transformação imediata
Com eles não temos nada em comum
Eles propagam um conto de fadas
Buscando enganar mais algum
É o conto da etapa de transição necessária
Que é uma transição de fachada
Que transita do nada para lugar nenhum

Quando a luta popular abre alas
Quando os trabalhadores ardem como brasas 
Quando o povo se revolta e cria asas
Os porcos logo querem por as patas
Para fazer a contra-revolução
E estabelecer nova dominação
A dominação dos burocratas

Só o povo a revolução garante
Autogestão é caminhar adiante
Seguir um Lênin é estar perdido
A revolução não é tarefa do partido!

A traição e a decepção aguarda
A todo que acredita na vanguarda
Ela fala em ganho mas só traz perda
O bolchevismo é o ópio da esquerda!

Transformação ?
É acabar com os exploradores
E com a possibilidade de novos senhores
Combater a corja dos notórios traidores
Pois a revolução dos trabalhadores
Só há de ser obra dos próprios trabalhadores!


Luiz Aurélio
Novembro 2011